Tarcísio Antônio Rodrigues Ramos - O "Grafite"

"Grafite", cujo verdadeiro nome é Tarcísio Antônio Rodrigues Ramos, industrial, de 25 anos, morreu de maneira violenta, ontem de madrugada, quando de "pega" de motos na Avenida Presidente Kennedy. Eram 3h30min quando se deu o acidente. Sua moto, de 1000 cilindradas, quase arrancou um poste de iluminação pública. Ele ficou completamente mutilado. A denominada "Volta da Jurema*", era o palco de "Grafite". Ali, quase todas a madrugadas, o jovem dava um verdadeiro show, usando a alta velocidade e pondo sua vida em risco a todo instante, não somente em automóveis, como em sua possante moto.
Ontem, foi seu último "pega" com o amigo Aristides*. Os veículos colidiram. O considerado melhor motoqueiro e piloto daquela área da cidade, foi infeliz. Viajando a mais de 150 quilômetros por hora, a Honda super veloz tocou de leve na de Aristides (750 cilindradas). Grafite e sua moto voaram. Ele foi de encontro ao meio fio e bateu com a cabeça num dos dois postes que sustentavam um transformador. O rapaz teve o crânio esfacelado e, ainda, sofreu mutilações pelo corpo. Chamado para a morte Há quase um mês, Tarcísio Antônio Rodrigues Ramos andava numa moto e um oficial do Exército, sentindo-se incomodado, abriu fogo.
Grafite foi atingido na região glútea. Sua mãe propôs a compra do automóvel, para evitar que andasse naquele veículo perigoso (moto). Anteontem, às 19 horas, recebeu a visita de Aristides, também conhecido como "Az" da Volta da Jurema, o qual alegou que ali havia muitos turistas exibindo suas máquinas. Grafite, destemido como sempre, preparou sua possante 1000 cilindradas. Os jovens que ali se encontravam, pararam para assistir ao espetáculo que jamais tinham visto: Motos trafegando a mais de 150 quilômetros por hora.
Muitos diziam que ele estava brincando com a vida. Nos dez primeiros "pegas", Grafite deu uma demonstração de sua coragem e perícia. Ninguém conseguiu vencê-lo. O ronco ensurdecedor das máquinas chamavam a atenção dos curiosos que ficavam pasmados com o que qualificaram de loucura. Às 2h40min convidou um amigo para jantar. Os espectadores continuavam na Volta à espera de mais audácia. Arístides ainda insistiu para o "último pega". "Como é nego, vamos decidir agora quem é o melhor", falou Arístides ao amigo.
A expectativa era grande. A rapaziada ficou apreensiva. As duas máquinas roncavam e foi dada a partida. Tarcísio usou toda a velocidade que tinha direito. Numa curva, as motos se tocaram levemente e em seguida, se separaram desgovernadas, jogando seus ocupantes à distância. Arístides sofreu apenas ferimentos e contusões considerados regulares. "Grafite" voou e espatifou-se contra o meio-fio e postes. Ali mesmo morreu, sob os olhares perplexo de dezenas de curiosos.

Foi uma morte violenta. Alguns amigos afirmam que Grafite "morreu no palco e como queria, pois a velocidade não o intimidava". Arístides Cavalcante Freitas, continua hospitalizado, mas seu estado de saúde não inspira cuidados. Indagado sobre o pavoroso desastre, afirmou apenas: "O Grafite dançou". Entretanto, diz estar inocente. O perito Stênio, do Instituto de Polícia Técnica, esteve no local para os exames iniciais. As motos BZ-212 e XH-707, usadas no "pega", continuam recolhidas à Delegacia de Acidentes de Veículos.
Tarcísio Antônio Rodrigues Ramos, era filho de Sebastião Tarcísio e de Maria Antônia Rodrigues Ramos**, residentes na rua Henriqueta Galeno, 391. Seu sepultamento ocorreu ontem às 17 horas no Cemitério Parque da Paz. Reportagem do Diário do Nordeste de 25 de junho de 1983 (Arquivo de Alexandre Montenegro) Grafite - Apenas um jovem rebelde e sem freio ou um marginal?

O menino Grafite - Arquivo Totonho Laprovitera Tarcísio Antônio Rodrigues Ramos, nasceu em 1958. Para os amigos, era apenas mais um jovem incompreendido e inconsequente, como qualquer outro. Mas para muitos que de alguma forma cruzaram seu caminho, as lembranças que ficaram, não foram boas! Para elaborar essa postagem, conversei com várias pessoas, tanto da turma do Grafite, como aquelas que não suportaram nem ouvir sua alcunha. Para ser justa e imparcial, colocarei comentários de ambos os lados!
- Alguns nomes foram trocados para preservar a identidade.
Ele muito jovem, corajoso, gostava de impressionar... Faltou-lhe um pouco de freio. Não era gente ruim. Luiz G.
. Fui amigo do Grafite por muitos anos e era um menino bom, de bom coração e a maioria das estórias contadas com ele foram inventadas!!! Na realidade o que faltou foi freio!!!!!
Digo porque por muitos anos andamos juntos, para praia, para as festas e também nas viagens!!! Na realidade, nem de briga ele era, confiava nos amigos, agora dizer que pra mulher ele tinha um papo bacana e levava na conversa, isso é verdade e os pais das mesmas ficavam indignados quando sabiam que a filha estava saindo com o GRAFITE!!!!! Muitas coisas são lendas urbanas!!! Ricardo P.

Crédito: Renato Feitosa
. Vivi a época e conheço tudo de perto... Sei que alguns o faziam de cobaia pois era burro e sem instrução ou fineza . Lembro dos rachas irresponsáveis que acho que chegaram a matar gente... A lista de crimes dele não era lenda. Dele e de um bando de donos da cidade...
Nada de passar a mão, Grafite era um cara de uma boçalidade e arrogância sem limites, um marginal que muitos idiotas queriam imitar na época, o conheci de perto. A maioria das maldades e atrocidades dele são verdadeiras. Ricardo M.
Será que o que contam sobre o Grafite é realmente tudo lenda? Que nunca ouve mortes e confusões bem acaloradas onde o mesmo estava envolvido? E a confusão com um tal coronel, foi verdade?!?!
.
Nunca matou ninguém em racha, inclusive um que morreu na Avenida Santos Dumont . e ele foi acusado, eu e mais 03 amigos assistimos, estávamos no CENTER UM quando ocorreu o atropelamento e vimos tudo!!! A história do tiro do coronel foi verdade, mas a verdade é que os militares ainda se achavam donos do BRASIL e o GRAFITE estava saindo com a filha do coronel, que não queria de forma alguma e o mesmo no seu descontrole característicos dos militares de patente, meteu bala no rapaz!!!!! Quem naquela época, jovem que tinha um carro não gostava de um racha, eu mesmo dava o maior valor!!! Esse episódio do tiro foi na Avenida Desembargador Moreira, naquela vila de militares ao lado doHospital Militar. Ricardo P.
Crédito: Renato Feitosa
Bem... O tiro do coronel foi dado por causa de abusos cometidos pelo Grafite na rua dele. Se fosse na nossa ele tinha partido mais cedo. Quanto aos rachas era uma forma irresponsável dos pais agradarem seus filhos. Por isso não nos misturávamos a certos tipos... E olhe meu pai era Secretário de estado e tínhamos todo o governo ao nossos pés... Nunca dirigimos sem carteira, ou participamos de rachas... Quando me prontifiquei a correr fui para o autódromo... Ricardo M.
.
Muita coisa de ruim que acontecia naquela época, era depositada na conta do Grafite pela fama que tinha. E o pior é que ele gostava da "fama" que era atribuída a ele. O quadro não era tão feio quanto pintavam! Mário G.


Grafite sempre envolvido numa confusão...
. Ele só brigava se estivesse com os amigos!!! Um dia fomos para um aniversário na casa de Vanda Palhano, mãe do Ricardo da Pretinha e da Soraya, e nesse aniversário tinha um americano, fato que naquela época já não gostávamos de gringo em nossa terra, passei e mandei o GRAFITE meter a mão no pé do ouvido do gringo, e assim ele fez. Resultado, o gringo deu umas porradas no GRAFITE, quando então chega eu e o Neo Pineo e mete o cacete no gringo que no sufoco pula o muro e tem que voltar pois na outra casa tinha um Pastor Alemão que botou o gringo pra correr e o mesmo ao voltar, entrou no pau novamente até aparecer um cristão que o levou de lá!!! Ricardo P.
.
Ele não brigava, ele começava as confusões. Quem brigava era o Aristides Feitosa. João A.
. O grafite apanhou muito também, pois era atrevido mesmo e não era de briga, só tinha coragem quando estava acompanhado, agora a dizer que ele matava as pessoas de propósito, porque queria, é muita maldade com quem não tem como se defender!!! Ele era tão atrevido, que foi fazer graça com o Cisninho, Américo, Jode e Antônio Elísio, que eram aproximadamente uns 10 a 15 anos mais velhos do que ele!!! Marcos C.
.
Grafite? Passou por cima de uma garçonete do WELLS, só porque resolveu mesmo... Na Bezerra matou atropelada uma família. Ele era filho adotivo de uma família rica. O Aristides, casado com Joelma, dono de empresa de ônibus à época, é quem vinha de parelha com ele. Hoje ainda tem um poste, onde se fixou massa encefálica durante alguns dias do Grafite, por ocasião do impacto! O Aristides era amigo do meu marido, que era do ramo de empresa de ônibus. Meu marido morreu com 30 anos. Não sei o que a família do Grafite fazia além de sofrer desde o dia em que acolheu em sua casa esse garoto, que tinha uma índole da pior qualidade, segundo os que conviveram mais de perto com ele. Tem muita história! O Aristides apenas tinha moto também e tomou esse pega com ele! A Imagem do GRAFITE era sempre associada a perversidade e maldade! O Grafite tinha duas revoltas, por fatores que, na época lhe distinguia dos demais.
Era de cor escura e adotivo. Não justifica, porém, as perversidades praticadas! Excesso de mordomias também! Tem uma versão da morte, à época ventilada, que não fosse o risco de estar cometendo leviandade e até um crime de calúnia, eu contaria... Maria C.

A Volta da Jurema foi palco do trágico acidente - Foto de 1981
Quanto ao Grafite ser adotado, é uma inverdade?!?!?
São os delírios das lendas urbanas criadas com o mesmo!!! O Grafite nunca foi filho de criação, os irmãos dele, podem muito bem esclarecer essa invencionice. Falar impropérios de quem não pode se defender é covardia!!! Ricardo P.
. Tem gente que sente falta dessas figuras... Algumas coisas são lendas, mais eu vi brigas de grande porte que colocavam em risco a vida de terceiros... Mal caráter, mal exemplo e uma figura que morreu rápido. Deveria ter morrido de forma lenta, sofrendo o que fez aos outros, espancamentos e etc... Teve uma época que a brincadeira era destruir carros nas garagens dos outros... Julgo por que mais de uma vez saímos de festas ou restaurantes no meio de garrafadas onde nossas vidas estavam em risco... Vi gente sair sangrando. Minha opinião é a de que esses que se diziam os donos das festas, abriam e fechavam bares. O uso de drogas também e algumas armas... Acho que tinha um que usava manopla e estava associado a essa turma. Estamos tratando de uma figura morta da qual repudio, pois conheço bem boa parte do que foi feito por ele e a "Turma do Grafite". Um merda isso sim... Desculpe, mas sempre que falam nesse sujeito me vem a mente um senhor sangrando que foi agredido por essa turma de arruaceiros e malfeitores! José M.
A Volta da Jurema
era o palco do Grafite e sua turma

Volta da Jurema em 1965 - Arquivo Nirez
. Grafite foi meu amigo, contemporâneo, colega de colégio...grande figura, gente muito boa. Virou lenda, muitas coisas que dizem, não correspondem à verdade. Éramos todos do mesmo grupo. Jovens, puros, com dinheiro e sem juízo. Tudo muito natural. José Carlos
. Grafite, lenda criada por uma Fortaleza fofoqueira de muro baixo!!! Ricardo P.
. Aquela época a droga começou a entrar em Fortaleza e alguns andavam armados. Ele não teve berço, dai alguns se aproveitavam, isso eu sei. Carlinhos tinha vergonha das histórias do irmão. O pai não tinha moral com Grafite e o presenteava a cada besteira feita. Vi as atrocidades que fizeram com um jumento na Volta da Jurema uma vez... nada normal! Um delas, dessa turma de marginais, colocou um jumento em cima da 'Volta' e batiam no animal... Depois não me recordo qual deles, tirou a roupa e saiu pelado montado no jumento... Isso eu vi. E as senhoras todas saíram envergonhadas. Isso é coisa de gente do bem? Não iam presos por que a policia era corrupta... Tinham gente dentro do Detran para tirar suas multas... Isso era normal? Ato de valentia? Um deles uma vez, humilhou um guardinha...e saia rindo mandando falar com o pai dele...
Estamos falando de pessoas que aterrorizavam, depredavam o que é publico e colocavam, bêbados, drogados ou sei lá, a vida de muitos em risco... Isso sim faziam bem!
Existem relatos... Não confirmo pois vai doer na memória ilibada dos garotos da Turma do Grafite... Existiram estupros até hoje sem queixa ou registro policial, pois os pais encobriam as cagadas dos seus filhos marginais... Se tivesse lei nesse período, teríamos muitos ditos "filhos de papai" presos até hoje. Conheci uma garota que pulou do carro andando..não sei de quem era o carro.
Manoplas foram usadas em um espancamento, ocorreram estupros e coisas não explicadas. A turma do Grafite sempre queria sair de boazinha. Volto a repetir: Só se saiam por conivência da policia comprada. Bem acho que encerro por aqui, mas nunca sairá da minha memória o senhor ensaguentado que vi, esse senhor saiu muito ferido... Até hoje quando falam no nome desse sujeito Grafite, que dava nome a turma, me dá vontade de ter idade na época e ter acabado com a raça dele por tamanha covardia! Ele mexia com as moças para puxar brigas! Jorge B.

Volta da Jurema
. A droga que usávamos apesar de adolescentes e não ser permitida a venda a menores, era o álcool e o lança perfume no carnaval!!! Nunca andamos armados, éramos lutadores de Karatê e quem andou pelado na Beira Mar foi o Novinho, irmão do ex-governador Gonzaga Mota!!! Vou narrar um episódio que aconteceu comigo e o Grafite: Estávamos em uma Tertúlia em uma casa na esquina da Carolina Sucupira com Professor Dias da Rocha, como a festa não estava animada, resolvemos ir para a tertúlia do Náutico Atlético Cearense, isso era um sábado. Dirigimos-nos, um grupo de amigos para a esquina da Avenida Estados Unidos com Carolina Sucupira para pegar um táxi, éramos seis adolescentes, veio o primeiro táxi e quatro foram nele, fiquei eu e o Grafite esperando o táxi seguinte, enquanto esperávamos, chegou outro grupo de adolescente, eram três, e quando viram o Grafite, começaram a provocar, um chegou e perguntou para o grafite, alisando seu rosto, “Tu que é o Grafite”, “sou” o Grafite respondeu, quando então o mesmo olhou pra mim e perguntou pra mim se eu estava achando ruim ele alisar a cara do Grafite, respondi que não, que não era a minha, não tinha nada com isso e fiquei na minha, ele insistiu na história, eu tenho o pavio bem curtinho, nem conversei, meti a mão na cara do elemento e a peia cantou, peguei ele pelo fundo das calças e quando ia jogar para cima de um carro que ia passando, um médico que morava na esquina da Avenida Estados Unidos com Carolina Sucupira e era amigo de meu pai, gritou para que eu não fizesse aquilo, ai parei, desfizeram a confusão, na companhia do Grafite peguei um táxi e fui para o Hospital Geral de Fortaleza, pois no primeiro tapa que dei quebrei o polegar esquerdo e tinha que engessar, depois de engessado, fomos para a Tertúlia do Náutico, em seguida fomos para a boate Flag e novamente, na entrada da boate nos metemos em outra confusão, desta vez com o porteiro de nome Libório onde eu meti o braço com gesso na testa da criatura que o sangue espirou longe e nesse dia foi peia até umas hora, não me lembro nem como cheguei em casa!!!
Estes crime que foram relatados, nunca foram cometidos em minha companhia, pois como já disse anteriormente, eramos lutadores de Karatê e achávamos bom mesmo era briga na mão, metendo o braço e quem não aguentava bebia leite, nunca usamos armas nenhuma e nem participamos de estrupo como se relata, primeiro que não tinha porque estuprar, as meninas corriam pra cima, tinha era que escolher, portanto, não tinha necessidade de fazer nada a força!!!
(Depoimento honesto de quem fez parte da Turma do Grafite)

Volta da Jurema no início dos anos 80
E o Grafite virou
lenda...
. Grafite até hoje é polemico..mas 90% das histórias atribuídas a ele é mentira...ele era arruaceiro por que o povo que tava com ele dava corda. Sempre o via sair da Praça Portugal . pra aprontar. Não tinha drogas, era muito whisky, tanto é que ele quebrava garrafas de Passaport, que era o whisky da moda, só pra se mostrar. Começava as brigas e depois ficava só olhando. Quando tinha um acontecimento iam logo falando que era o Grafite. Eu mesmo presenciei um episódio de um cara fugindo de moto de uma Blits e o guardinha foi logo dizendo que era o Grafite que tava na moto. Só que não era... Era outra pessoa que me reservo o direito de não falar... O que ele mais gostava era de tirar pega nas ruas de Fortaleza que eram calmas. Lembro demais na Praia do Futuro, Zé do Peixe, ele e o Aristides tirando pega de Landau... Alexande M.
.
Pra mim ele sempre foi uma lenda urbana. Quando eu era criança, tinha medo dele. Bastava alguém soltar a pérola: ". Tome cuidado caso encontre-se com o Grafite." Da vida dele nada sei. Mas nunca esqueci dos fatos narrados (fidedignos ou não) sobre o terror que ele causava na nossa cidade. Ana C.

Volta da Jurema final dos anos 80

A turma do Grafite era formada por garotos que se achavam acima da lei. Ultrapassavam o muro da decência, não tinham limites e não temiam nada nem ninguém! O tempo passou, o Grafite se foi e aqueles rapazes, que um dia aterrorizaram a vida de alguns fortalezenses, amadureceram, se tornaram pais de família e deixaram o passado de loucuras e rebeldia para trás. Dizer que tudo não passa de uma lenda urbana, não é verdade, principalmente se levarmos em conta, depoimentos bem honestos, inclusive de alguns que fizeram parte da turma do Grafite.
Que tudo que falam é 100% verdade, também seria leviano afirmar, afinal, quem conta um conto, aumenta um ponto e como alguns falaram, o próprio Grafite gostava da sua "fama de mau" e por causa de suas atitudes, tudo de errado era atribuído a ele.
Grafite não tinha freio, fazia tudo que tinha vontade, mesmo que isso prejudicasse ou colocasse em risco a vida de terceiros.
Falei com alguns garçons e a maioria, preferiram não falar sobre o assunto, outros, falaram que não sabiam de nada, mas teve quem falasse, mas com uma condição, pediu para ficar no anonimato, não quer seu nome envolvido com nada que lembre o Grafite:
.
Aquilo era uma peste, não respeitava ninguém, se eu fosse falar tudo que esse "cabra" aprontava, dava um livro de terror. Faltou pulso firme, se fosse meu filho... Quem trabalhava na noite naquela época, passou poucas e boas nas mãos dele. Ele e a "cambada" que o acompanhava, faziam o inferno onde chegavam. As moças tinham medo deles, ouvíamos cada coisa que eu prefiro nem lhe falar, tenho vergonha. Lembro do acidente horrível que ele sofreu, foi muito feio! Ele foi irresponsável e procurava a morte, não tinha limites, mas eu prefiro não falar mais nada, ele já morreu, vamos enterrar o assunto também, é melhor. Depois de tudo que você leu, qual a SUA opinião? Qual imagem Gravite deixou PARA VOCÊ? Apenas um jovem inconsequente e irresponsável? Uma vítima de acusações infundadas?

*Conhecido também como Tid Bill
** Maria Antônia Rodrigues Ramos, conhecida como D. Moça (ainda vive). Além do Grafite, teve outros filhos: O Marcos Pretão (o mais velho), o Carlinho (que juntamente com o GRAFITE, cujo nome verdadeiro é Tarcísio, eram os dois do meio) e Júnior. Dos homens, apenas o Junior está vivo. Marcos Pretão morreu a pouco tempo de um ataque cardíaco. Teve também três mulheres, delas, a Julieta e a Beth (casada com Manoel Gentil Porto), estão vivas.
A mais velha das mulheres (desconheço o nome) também já faleceu. Para tristeza dessa mãe, dois de seus filhos tiveram morte trágica: O Tarcísio (Grafite) e o Carlinhos que suicidou-se. "A história da família é muito trágica, D. Moça, a matriarca, perdeu uma filha ainda nova, o Grafite, o Carlinhos, o marido (Sebastião) e por último o Marcos Pretão. E continua firme e forte!" . F.G Agradeço aos amigos da Padaria Digital - Novos Tempos! Novas Ideias! *Volta da Jurema: Jurema era o símbolo da fecundidade da tribo da Índia Iracema.
E a volta é devido ao contorno que o calçadão faz na altura do Jardim Japonês. Inclusive, a estátua da Iracema Guardiã simboliza a índia guerreira guardando o segredo de Jurema.

💬 Comentários (190)
Abraços
Porém coma ajuda da amiga Leila, pude saber realmente o que aconteceu.
Sempre tive curiosidade.
Obg Leila
Obrigada pelo comentário
Exatamente por isso, que não coloquei apenas comentários contrário ao Grafite, mas inclusive, de pessoas que conviveram com ele, fizeram parte da "Turma do Grafite".
Abraços
Abraços
Forte abraço
Enquanto a gente estudava à noite e trabalhava durante o dia, o desgraçado se exibia e ao cair da madrugada, o bicho pegava mais ainda.
Leila, multas de transito, acho que o maldito bateu todos os recordes e o papaizinho sempre tirando o mala do sufoco.
Só quem viveu aquele tempo e por pouco não teve a vida ceifada por ele que graças a Deus ou ao diabo foi prá o Inferno para que só assim, a comunidade pudesse andar nas ruas com mais segurança e tranquilidade.
Era um filhinho de papai irresponsável que teve a morte que merecia.
Ah! eu sou quase da idade dele e a diferença nas ruindades é que ele era rico e nossa galera pobre mas, quando misturava todo mundo à noite aonde rolava muita droga e bebida também, Fortaleza tremia e o chamei tanto de desgraçado porque sempre detestei aquele parasita social.
Patricio
A impunidade está relacionada com a quantidade de dinheiro que vc tem, infelizmente!
Ouvi muitas pessoas que falaram isso mesmo, que ele fazia barbaridades no trânsito e mesmo assim, nda acontecia, parece que até as multas, eram retiradas e nem constavam no Detran, absurdo!
Seu comentário ajudou a enriquecer a postagem sobre qm foi o Grafite.
Abraços amigo
Pais: Sr Sebastião e D.Mocinha.Como estão hj os filhos do Carlinhos..Igor e Ingrid? Não sei o nome do caçula que ele teve c a segunda mulher, na época em que morreu.
Não era filho adotivo, basta olhar uma foto da família que são muito parecidos. Vivi tb com intensidade aquela época e o que fazíamos mesmo era curtir nossos carros e tirar pegas nas principais avenidas. A maioria dos Empresários cinquentões de hoje andavam juntos e curtiam os memos lugares que eram poucos naquela época.Estavamos no Mitre ( lanchonete do posto que fica na Desemb. Moreira com Pe Antonio Tomás ), e era um ponto de encontro antes de irmos a boite Éden que ficana na rua atás. No dia do tiro na Av. Desembargador Moreira, o Coronel atirou por causa do barulho da moto em alta velocidade, não tinha nada da filha envolvido. Ao sentir que algo estranho havia acontecido, Grafite parou a moto em frente a um edificio perto da Padre Valdevino. fomos todos para lá e ele foi levado para o Pronto Socorro dos Acidentados.Tb Sempre encontravamos com ele naVolta da Jurema, começo dos anos 80
Forte abraço
Obrigada pelo comentário
Abraços
Abraços
Obrigada pelo comentário, Hibernon :)
Me chamo Franzé Rodrigues Ramos, e sou primo-irmão do Grafitte ( falecido).
Forte abraço e obrigada pelo comentário
Pois é, o Grafite aprontou todas pela Volta da Jurema. Não sou parente dele, sou pesquisadora e como ouvi muito falar do Grafite, resolvi mergulhar de cabeça e ir atrás dos fatos.
Legal que tenha gostado! :)
Forte abraço
Agradeço demais seu comentário, é muito bom ter o trabalho reconhecido, obrigada! :)
Abraços
Eu era motociclista na mesma época e ,as vezes, rodavamos juntos , mas este acidente me marcou , no outro dia vendi a minha moto e passei 30 anos sem pilotar uma destas máquinas.Fui para o enterro do Neguinho , tinha pouca gente..... havia um certo preconceito contra motociclista.
Soube do fato na manhã seguinte e fui ao local. Muito sangue, pequenos fragmentos do seu corpo e o poste quebrado pela moto, se não me falha a memória em três partes pela tamanha violência.
Naquele tempo o temor não era da violência urbana como hoje e sim daqueles "lutadores" que sempre estavam à espreita de uma próxima vítima para as suas covardias corriqueiras. Na praça Portugal, nas festas do náutico, do círculo militar ou onde que que fosse.
Se tudo do que dizem foi ou não verdade eu não sei, mas sua reputaçao era sinistra.
Hoje tenho quase 47 anos e essa matéria me lembrou de muita coisa.
Obrigado!
A Volta da Jurwma era, mesmo, um palco da juventude cearense.
Bastava chegar, ficar batprendo
papo, bebendo água de côco da barraca da Biró e, quando menos se esperava, alguma coisa acontecia.
Certa vez, um indivíduo, bêbado, bateu em vários carros de uma só vez, então foi muita correria e ele acabou levando uma: boa mão de peia.
Outra vez, uma garota caiu naquele bueiro próximo à curva da Volta e seu pé enganchou nos trilhos de ferro do bueiro, tiveram que chamar os bombeiros.
Pegas, blitzs do antigo BPTRAN, risadas, brincadeiras, paqueras , brigas, encontros e desencontros aconteciam ali.
Interessante, muitas amizades eram firmadas na Volta da Jurwma. Ainda hoje tenho amigos e amigas da Volta, inclusive antigos companheiros do Grafite.
Lembro do Grafite colocando som em seu carro. Naquele tempo havia o Hipermercado Romcy e tinha uma loja de som de carro em baixo, no estacionamento e a rapaziada que tinha dinheiro e curtia carros vivia botando som, escapamento, rodas, etc.
A curtição eram as festinhas, o Náutico, shows no Paulo Sarasate, Eden, Praia do Futuro e Volta da Jurema.
Tudo começava e terminava na Volta.
Quanto ao Grafite, era um jovem que curtia a vida de uma maneira livre e solta e gostava de desafiar seus limites, até que um dia, como disse o Aristides, ele dançou.
A Volta da Jurema era esse palco de muitas histórias, ponto de atração dos jovens numa época em que não havia Internet, Whatsap, Facebook e a gente gostava mais de gente. Sexta feira à noite, depois de curtir a Pç Portugal, "bater o ponto" na Volta era imprescindível. Descia todo mundo! Certa vez, um cavalo de raça soltou-se da casa em que vivia, nas proximidades do Náutico, e saiu correndo, desesperado, pelas ruas ao redor, até que bateu numa árvore que havia no meio da rua Silva Jathaí e teve morte imediata. Antes disso, ele colidiu com um carro que passava pela Av.da Abolição, quebrando, totalmente, o vidro lateral traseiro.
A Volta era assim, de repente acontecia alguma coisa, lá ou nas proximidades e todos corriam pra ver.
Tudo era motivo de comentários e muita agitação!
Os jovens eram alegres e gostavam de se comunicar, paquerar, contar histórias e fazer amizades.
Certa vez, o Genésio Queiroz, de saudosa memória, figura bastante conhecida em Fortaleza, até por ser de família importante, encontrou a Roberta Close caminhando com um amigo na Av. Estados Unidos, como era chamada na época, atualmente Av. Virgílio Távora. Roberta Close estava em Fortaleza para apresentar uma peça teatral.
Quando o Genésio a reconheceu, se aproximou dela e começou a conversar, perguntou para onde ela iria e se queria uma carona em sua motocicleta, 300cc, cuja placa, ao invés de números, trazia o nome GENÉSIO.
Nessa hora, meu irmão, Zé Plutarcho, que ia passando em seu carro, um fusca branco, lindo, o "MARMITA", avistou o amigo Genésio e procurou saber o que havia.
Então, Genésio gritou: "Zé, é a Clô, dá uma carona pra ela"!
Finalmente, ela entrou no fusca e foi até o Hotel Othon Palace, onde estava hospedada.
Isso gerou muita história, todos queriam saber como foi o papo no carro, etc.
Então, essa era a Volta da Jurema, um lugar personificado, vivo e que mexia com o imaginário popular, atraia as pessoas e era amada pela nossa juventude!
Lamentamos ver os jovens desse novo tempo, possuidores de tantas ferramentas tecnológicas, com mil possibilidades, porém, muitas vezes, presos a um simples teclado e a uma tela de celular ou de computador, jovens sem o brilho que a Volta proporcionava para todos nós.
Viva a Volta da Jurema!
Forte abraço!!!
Aristides era uma figura ímpar e conseguia ser o centro das atenções na roda de amigos pelo seu jeito de ser.
O medo passava longe, gostava de desafios e sempre tinha uma idéia genial!
Perto dele, brincadeiras, risadas e alguma coisa podia acontecer.
Certa vez, resolveu criar um Leão e andava com ele pra cima e pra baixo, provocando a admiração de todos.
A "VOLTA" foi palco de inúmeros momentos inusitados e seus amigos compartilham do mesmo sentimento de saudade e lembranças que marcaram cada um deles.
Que Deus lhe conceda uma nova "Volta da Jurema" arrodeada de amigos para novas e eternas aventuras!
Adeus Aristides!
sou Rosina, morei prto da Volta por 22anos e conheço um pouco dessa história.
A empresa do pai dele faliu depois, como outras empresas de pesca que faliram no final dos anos 80.
Feitosa e gente boa
Eu morava próximo a treze de maio onde vi muitas vezes os dois passarem com suas motos possantes... algumas vezes passava em pé na moto.
Eu era adolescente, e ouvia muitas histórias sobre ambos.
Fico aqui imaginando o desespero q foi para a mãe receber uma notícia dessas, ainda mais pela forma violenta que aconteceu... Muito triste!
Nossa! :O
Conheci o Grafite com 14 anos quando fui morar em Fortaleza. Como muitos já disseram, era uma turma que se encontrava nos mesmos points na Av Beira-Mar e festinhas na casa de amigos muitas vezes. .Convivi até os meus 19, quando retornei ao Rio.Não peguei a fase da boite Éden
Ele não era má pessoa ! Mas inconsequente e irresponsável quando expunha a vida de terceiros estando de carro ou moto e participando de pegas.
Tinha um sorriso lindo- dirigia muito bem- com uma visão e noção de espaço no trânsito que impressionava. Andei com ele algumas vezes de carro e em algumas vezes ele fez cavalo de pau ! Nossa...que susto eu levava !!!! Brigava muito com ele quando fazia isso. Ele se divertia e realmente não tinha a intenção de atingir ninguém, mas também não considerava os riscos que estava causando.
Sim, os pais queriam suas filhas longe dele- duas amigas muito próximas se envolveram com ele. Era romântico - costumava surpreendê-las com atitudes e presentinhos.
Seu pai era pescador pobre e teve sorte com pesca de lagosta principalmente.
Também conheci o Carlinhos mais de perto e o Marcos pretão, mas ele era mais velho e não frequentava os mesmos lugares que a gente.
O Grafite era idolatrado por muitos- talvez isso o tenha estimulado em tanta ousadia e irresponsabilidade.
Seu pai chamava-se Sebastião e todos os seus filhos eram biológicos.
Quanto à época de sua morte, o que eu sabia era que havia parado com os pegas há algum tempo e que o Aristides havia insistido até o ponto dele ceder, o que acabou na tragédia de sua morte.Abraços
Conheci o Grafite com 14 anos quando fui morar em Fortaleza. Como muitos já disseram, era uma turma que se encontrava nos mesmos points na Av Beira-Mar e festinhas na casa de amigos muitas vezes. .Convivi até os meus 19, quando retornei ao Rio.Não peguei a fase da boite Éden
Ele não era má pessoa ! Mas inconsequente e irresponsável quando expunha a vida de terceiros estando de carro ou moto e participando de pegas.
Tinha um sorriso lindo- dirigia muito bem- com uma visão e noção de espaço no trânsito que impressionava. Andei com ele algumas vezes de carro e em algumas vezes ele fez cavalo de pau ! Nossa...que susto eu levava !!!! Brigava muito com ele quando fazia isso. Ele se divertia e realmente não tinha a intenção de atingir ninguém, mas também não considerava os riscos que estava causando.
Sim, os pais queriam suas filhas longe dele- duas amigas muito próximas se envolveram com ele. Era romântico - costumava surpreendê-las com atitudes e presentinhos.
Seu pai era pescador pobre e teve sorte com pesca de lagosta principalmente.
Também conheci o Carlinhos mais de perto e o Marcos pretão, mas ele era mais velho e não frequentava os mesmos lugares que a gente.
O Grafite era idolatrado por muitos- talvez isso o tenha estimulado em tanta ousadia e irresponsabilidade.
Seu pai chamava-se Sebastião e todos os seus filhos eram biológicos.
Quanto à época de sua morte, o que eu sabia era que havia parado com os pegas há algum tempo e que o Aristides havia insistido até o ponto dele ceder, o que acabou na tragédia de sua morte.Abraços
Não conhecia seu blog, mas agora conheço. E em breve conhecei a fundo porque achei fantástico.
Apesar do comentário tardio, quero afirmar minha visão, alíás, meu incômodo com o post. A leitura foi incômoda, não pela escrita e nem pela estética, mas pela simbologia envolvida. Explico a seguir.
Eu era criança quando o Grafite morreu. Não o conheci. Não conheço a família. Não tenho amigos em comum com nenhum dos envolvidos. Não sou rico, longe disso e não tenho experiência com essa sensação de poder desenfreado que esses jovens viviam... e vivem. Para completar sou do interior e me entendo como gente na capital mais tardiamente do que o acontecido, mas tenho alguma experiência com os herdeiros do Grafite. Toda uma geração que cultuava e assimilava esse modo de viver, que desejava os ideais pelos quais o mito Grafite viveu.
Em 1988 e 1989 era comum, anos depois, vivenciar o mesmo culto a delinquência, a mesma exaltação perversa do poder econômico, o mesmo desejo de potencia de uma geração que cresceu se identificando, positiva ou negativamente com esse modelo de poder tudo, ter tudo, quebrar tudo.
Claro que a maioria das pessoas não eram assim, mas a valorização desse perfil fez e faz mal à sociedade.
Reconheço nos comentários que as pessoas insistem em atenuar e desculpabilizar a história. Tantas falas que envolvem a ideia de bom coração me deixaram profundamente incomodado. A ideia de normalidade para vandalismo, afronta a moral, as leis e a autoridade constituída é a base desse substrato social. Não tem como ser boa gente quando se é proibido de entrar numa boite por ser conhecido como arruaceiro. Não coincide com o padrão d gente legal a narrativa de que iniciava brigas sem motivo com pessoas que nada fizeram. Não é possível considerar uma pessoa como honesta se ela desrespeita a lei e tripudia, junto com sua família, da autoridade constituída. Como considerar uma boa pessoa alguém mal visto e mal quisto pelos que o serviam. Os argumentos são fartos. Acredito plenamente que o mito é exagerado, mas também acredito que casos de abuso ocorreram, apenas pelo fato de que o tipo de postura de arrogância, vaidade e prepotência de quem fazia parte do grupo, não combina com a aceitação de um não, quando se escolhia uma menina para sair.
É tristes reconhecer que foi essa mentalidade que formou uma parte significativa de nossa elite local. São políticos e empresários que nos governam e empregam. Todos formados durante a ditadura, a mesma que muitos ainda tem a ignorância de afirmar que era tempo ordeiro e que nada se sabia de corrupção. Contudo, é com a geração seguinte que hoje temos problemas, é a geração que cultuava esse modelo de vida que hoje para em fila dupla na saída do colégio, que fura fila no cinema, que desrespeita garçons e funcionários.
Foi incômodo porque faz muito pouco tempo que a sociedade cearense achava graça de jovens, maiores, que brigavam em todos os lugares, que corriam temerosamente e que, em meio a arruaças, desfaziam, pela força do dinheiro, da autoridade pública.
E fico com a pergunta insistente no meu juízo... e hoje é mesmo diferente?
Amei cada palavra e que isso seja recebido como um tapa na cara das pessoas que não raciocinam quando leem
Fortaleza da gente sofrida e dos seus playboys,
Da riqueza e da pobreza,
Encantadoramente heterogênea!
Fortaleza dos verdes mares bravios
Em praias estonteantes,
Dos folguedos vários e comidas diversas,
Da calma e do movimento;
Das grandes praças, das longas avenidas
E de muitas ruas transversais,
Da brincadeira de guerra com pedras de barro, da rapaziada,
Onde os muros dos terrenos baldios
Serviam como baluartes, contra os projéteis dos adversários
Em meio aos risos de escárnios tripudiantes,
Sob uma testa safada, com uns olhos com desdém alienado,
Que emergiam, excitados e zombeteiros, sobre o cimo do muro,
Por causa da marca empolada,
Causada pela pancada, no peito do inimigo,
Da malhação do incauto, que dissera uma bobagem,
Ou do castigo, com boladas,
Do último colocado no jogo do gol,
E da maizena na cara dos pândegos, no Carnaval,
No bairro da Piedade;
Fortaleza das tertúlias na Aldeota!
Todavia, ideal seria se no esporte da máquina,
Suas vidas não arriscassem, tanto,
Nesse episódio triste e marcante,
Tão marcante, que fez correr um boato,
Que anunciou: Vamos, o nome da
“Volta da Jurema”, mudar, para que
"Volta do Grafite" passe a se chamar,
Em homenagem ao arrojo do Tarcísio
E dos estroinas cearenses,
Que tanto gostam de aventuras, e
Que tanto amaram e tanto amam
O meigo amor da namorada, que
Tanto abominam a covardia
E os fracos protegem, e
Tanto prezam as amizades,
Mas querem cevar o êxtase da vida
Com proezas que tentem, em vão, exauri-los,
Para que, mesmo sem testemunhas
Ou com plateias eventuais,
Voltem saciados
Para os braços da amada,
No alpendre acolhedor,
Sob o aroma dos bogaris,
Com um café com beiju,
Ao som dos murmúrios vespertinos,
De uma atmosfera límpida,
Tingida por uma fraca poeira,
Mesclada de um tom tabaco e da
Radiação pré-crepuscular, cor de jerimum,
Da tarde que anuncia que quer se despedir
Em que doces lancinações frias perpassam o mormaço,
Em uma terna e marejada melancolia,
Só superada, em suspiros,
Pela expectativa do encontro ansioso;
E para que voltem, os aventureiros, também,
Para o convívio dos amigos e amigas leais,
Nos salões das festas animadas.
Roberto Cristino Teixeira
23 e 24. Sim, “tudo é permitido”, porém nem tudo é proveitoso. Sim, “todas as coisas são lícitas”, contudo nem todas são edificantes. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas o bem dos seus próximos." …
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/mobile/cadernos/policia/quadrilha-clonava-veiculos-1.171607
Não era adotivo, a mãe sofreu muito com tudo e a irmã que faleceu ainda nova chamava-se Fátima.
Tive uma história mt particular c o Carlinhos e gostaria de saber mais , pois qnd o Carlinhos foi assassinado eu já não morava a mts anos em Fortaleza. Poderia me retornar se possível?
Meu pai trabalhava (e ainda trabalha, aos 88 anos!) com restauração de peças de metal. Na época, o Grafite frequentava a oficina do papai, levando peças de carro e moto para cromar. Lembro de uma história contada pelo meu pai: a oficina tinha uma entrada estreita e o Grafite chegou com um de seus carrões, querendo colocar o carro para dentro da oficina. Ele acabou "entalando" o carro na entrada e arranhando as laterais. Vendo que o papai tinha ficado preocupado com a situação, ele falou: "Não se preocupe! A mamãe compra outro carro!"
Muito se falou, mas não ficou claro se ele realmente era um 'industrial', que trabalhava, ou ganhou a 'profissão' pq o pai tinha barcos de pesca e comercializava lagostas?
E o epíteto 'Grafite'? Era por causa da cor da pele ou outro motivo?
Parabéns!
Tbm fiquei curiosa agora! rsrs
Que absurdo! :O
Imagino que o objetivo aqui é despertar lembrança, foi o que aconteceu comigo lendo. Não sou conterrâneo do Grafite, pois nasci em 1977, a matéria foi suficiente para despertar minha memória.
Eu morava na Estados Unidos, 2225, com minha mãe, Áurea Frota (Aurinha, da Modinha Boutique) e meu pai Zé Armando, andava de moto e conhecia o Grafite. A casa do Grafite era em frente à minha, separa apenas por uma casa. Como qualquer menino de 6 anos eu estava na fase de absorver e prestar atenção em tudo que se falava e com a história do Grafite não foi diferente.
Interessante ler tudo isso agora, é como se um gatilho fosse apertado e o cérebro vai buscar tudo lá no fundo, sem falar que minha memória é espetacular. Simplesmente não esqueço nomes, lugares e histórias, basta me contar uma vez! Como eu era pequeno, são fragmentos, obviamente. Lembro da morte narrada, que meu pai estava no Éden na hora do acidente, que foi um pega com Aristides, do relato bizarro dos seus restos mortais na mureta e poste (isso me assombrou por tempos porque passava lá procurando, coisa de menino...), do muro pichado que presenciei e, principalmente, lembro do meu suposto "fascínio"pela lenda sempre que eu passava no portão da casa do Grafite, muitas vezes estava aberto, lembro bem da garagem aberta, eu espiava como se fosse brotar dali algum novo capítulo daquela história que ainda não foi contada....
Como uma coisa conecta a outra, lembrando do Aristides, lembro que meu pai contava que certa vez naquela ladeira íngreme da volta da Jurema, ao lado da casa do Paul Mattei, o Aristides jogou óleo diesel ou algo parecido ladeira abaixo... o efeito todos podem imaginar! Carros descendo e outros tentando subir!
Enfim, memória é isso, todos trazem a sua sem qualquer pretensão de ser verdade ou mentira.
Parabéns pelo trabalho.
Abraços
Que tal pensarmos assim: Se ele realmente foi mal, todo pecado foi pago no dia do acidente, pois morreu jovem e de forma violenta.
Sim, as mães sempre carregam um fardo pesado! :(
Certas vez eu fui comer um sanduiche em uma lanchonete que tinha na beira mar na frente do restaurante e da boite do Américo. Parei o carro de bico na calçada bem na entrada do restaurante. O Grafite parou o carrão dele bem atrás me fechando e entrou no restaurante, na parte que ficava do lado de fora, embaixo das árvores e entrou. Como eu o conhecia pedi pra ele tirar pq eu queria sair e ele disse que não ia demorar. Fiquei no carro esperando ele voltar e de repente só vi cadeiras voando. Uma delas veio na direção do meu carro. Ele veio correndo, abriu o carro dele e voltou com um revolver. O pior foi que ele apoiou o braço exatamente no lado do motorista onde eu estava. Só ouvi o estrondo e fiquei surda, ele saiu correndo, entrou no carro e saiu cantando pneus. Eu estava em choque, alguém abriu meu carro, me colocou no banco do carona e saiu dali feito louco e me levou pra minha casa. Era algum conhecido meu, mas até hoje eu não lembro quem foi.
Passado um tempo, um belo dia ele me viu e pediu desculpas. Era um garoto como tantos na época,filhos de pais ricos, que achavam que o dinheiro comprava tudo.
Mesmo com tudo isso, todas essas loucuras, ele não merecia uma morte tão trágica. Aliás, ninguém merece.
Que Deus o tenha!
Um abraço.
A última notícia que eu recebi, dos leitores do blog, é que ele estava casado e que ano passado, ou começo desse, ele teve covid e ficou muito mal, mas não obtive mais informações.
Sentimentos à família e amigos!
Parabéns pela Matéria Leila