Rodolfo Teófilo - O Benfeitor
"Nas suas barbas brancas de apóstolo, no seu recolhimento e na sua tristeza, é uma das mais belas figuras veneradas do Ceará.
Toda uma longa vida de trabalho, de fé e de coragem está naqueles setenta e oito anos fatigados que parecem mais velhos, no esgotamento do seu grandioso esforço.
Vinte livros já saíram das suas velhas mãos trêmulas, mãos que fizeram tanto bem e espalharam tanta luz, mãos que hoje só se exercitam nos dois grandes gestos do amor: a esmola, que socorre, que alimenta e que conforta; a benção, que eleva, que purifica e que perdoa.
Vinte livros. Toda a história dolorosa das secas e a tragédia nostálgica dos êxodos, nas páginas atormentadas de "Fome", do Paroara". Os grandes dramas de sangue, as velhas lendas heroicas de banditismo e sertão, no "Os Brilhantes", no "O Condurú", em "Maria Rita". E a irônica vergastada de "Memórias de um engrossador", a encantadora utopia do "Reino de Kiato", e o doce lirismo intelectual de "Telesias", e o sombrio satanismo de "Violação"...
E toda uma obra de paciente saber, de apaixonado estudo, na grande bagagem dispersa copiosamente em meio da produção artística.

Hoje, o dono da alma heroica que venceu a peste negra, naquela luta gigantesca em que ia procurar lá dentro da sua cidadela de casebres a praça forte da miséria e da morte hoje, como uma grande relíquia preciosa, é que vive, branco e trêmulo, luz cansada que invoca a grande noite, desejoso do doce sono que o venha libertar do peso amargo da vida, da saudade da velha e amada companheira que se foi, saudade que é seu único mal e sua única e infinita tortura. Mas é preciso que não se vá. Velho avô bem querido, que nos ensinou a chorar nossas dores e a curar nossos males, velho avô, carecemos demais do muito que aprendeu, do muito que sabe dedicar-se, do muito que sabe amar... E, se a inveja, a inconsciência e a ignorância conseguissem fazer apagar e esquecer o que sua mão escreveu, nas cicatrizes benfeitoras que cada cearense traz nos braços, está gravada para sempre a marca da sua ciência generosa, velho avô..." Rachel de Queiroz
Texto publicado no Álbum de Fortaleza de 1931
💬 Comentários (12)
Abraços
Lí os livros dela e principalmente "O QUINZE", leitura gostosa que nos prende da primeira à última página.
Leila, irei mergulhar mais na vida dele prá ver mais coisas, visto que já morei no Rodolfo Teófilo e sempre tive curiosidades de saber quem realmente ele foi.
O blog é bom porque aqui vc ( com seu trabalho de genia ) juntou brilhantemente tudo e deu no que deu: CULTURA PRÁ DAR E VENDER. Bjs e Boa Sorte!
Patrício!
Mergulhe mesmo, com vontade, tenho certeza que não irá se arrepender! :)
Abraços amigo
Bjos
Com o teu saber me ensina
Pra fazer versos perfeitos
Sob a luz que me ilumina
Falando dos grandes feitos
Do autor da Cajuína.
A sua história fascina
Por tudo o quanto ele fez
Por isso é que me proponho,
Já pela segunda vez,
Descrevê-lo nos meus versos
Louvando-o com sensatez.
Direi o nome a vocês
Desse homem de valor
Rodolfo Marcos Teófilo
Farmacêutico e Escritor
Que do povo cearense
Foi um grande benfeitor.
Rouxinol do Rinaré (introdução de um cordel)
Amei!
Forte abraço