Postes e eleições

Poste de madeira em frente a casa. Esta casa localizava-se na atual Rua Conde D'Eu, ao lado da casa dos governadores, onde em 1932 foi construído o Mercado Central (o antigo, o atual é uma feira de regionalismos). Foi nesta casa que em 1824 refugiou-se o Padre Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque e Melo Mororó que ali foi preso e conduzido para a morte ocorrida no dia 30 de abril de 1825. Arquivo Nirez Vários historiadores defendem ser cíclica a história e o cotidiano leva ao fortalecimento do princípio. No período antecedente às últimas eleições municipais, a mídia divulgou declarações de políticos afirmando que o presidente da República, por sua popularidade, elegeria quem e o quê desejasse.
Até mesmo um poste. Como não aplicaram a Teoria de Garrincha, isto é, não combinaram com a outra parte – os eleitores – deram com os burros n’água. Seus postes continuam postes. Os índices apontados nas pesquisas não foram transferidos, escafederam-se.

Poste de madeira nos arredores da Estação Central - Século XIX Em nossa Capital, anos sessenta e setenta do século passado, ao contrário do desejado na atualidade, foram os postes que elegeram os políticos. Isto mesmo, o ontem contrariou o desejo do hoje. Um sempre lembrado ex-vereador e ex-diretor do Departamento de Iluminação da Prefeitura de Fortaleza, órgão então responsável pela instalação de energia elétrica, aliou-se a um ex-deputado estadual, não menos famoso, e produziram uma inédita e luminosa idéia eleitoreira. Como nos subúrbios a maioria das ruas não dispunha de energia elétrica, pouco antes das eleições escolheram várias artérias de bairros periféricos, reuniram os moradores e garantiram que todos teriam o desejado serviço público em seus lares. Quase às vésperas dos pleitos, caminhões da Municipalidade, carregados com os antigos postes de madeira, destinavam-se às ruas dos votantes e deitavam ao chão dois postes em cada quadra.

Poste de madeira na então Rua da Frente (Av. Beira-Mar) na década de 30 - Arquivo Nirez Muitas alegrias e comemorações realizaram-se por conta do futuro benefício. Os postes estavam ali. Eram a garantia, pensava o eleitorado. Os candidatos divulgavam atraso nas obras por conta da burocracia, entretanto juravam que logo após a eleição todos teriam a desejada luz nas casas e nas ruas. Tudo ficava na promessa e os postes eram recolhidos ao depósito municipal após elegerem e reelegerem a ambos, com votações de áreas sempre diferentes. A lembrança restada da tramóia foi o apelido dado ao deputado, formado pelo designativo do sexo masculino, o sinônimo de madeira e a posição horizontal dos postes.
Crédito ao amigo e colaborador Geraldo Duarte (advogado, administrador e dicionarista)
💬 Comentários (4)
Eu fico muito feliz em saber!
Abraços e obrigada pela preferência! rs