Os homenageados nas ruas da cidade - Amélia Benebien - Parte XI
A Primeira médica nordestina




E num lombo de um cavalo, aos 25 anos, acompanhada de dois escravos, partiu para Salvador, cortando de balsa o majestoso Rio São Francisco. Enfrentou o preconceito por ser mulher, cearense, num curso frequentado por filhos de abastados, brancos de todo o Nordeste, e para tal conviveu com seus cabelos curtos, machista, até a formatura em 1889, sem repetir uma cadeira.
Valeu a pena: primeira médica nordestina. E segundo conta a história, foi também a primeira mulher a exercer a Anestesia no Ceará. Amélia faleceu em 1953, aos 93 anos.
Foto: Memória Histórica do Crato. A respeito da médica cratense, escreveu Figueiredo Filho: “De . Crato, escondida à sombra da . Chapada do Araripe, quando no Brasil não se falava em reivindicações femininas, ainda na monarquia seguiu, para estudar medicina, a moça Amélia Pedroso. Parte do percurso até alcançar os trilhos da estrada de ferro .
Salvador – . Juazeiro da . Bahia fazia-se em lombo de cavalo”. E, reportando-se ao pai de Amélia, para ele uma espécie de Diógenes matuto:"Certa vez, quando conduzia a filha do Crato ao São Francisco, acompanhada de dois escravos de confiança, parou o cavalo de súbito em cima da chapada do Araripe. Virou-se para a filha e disse: “Menina, você vive na escola com rapazes brancos e bonitos, mas nunca se perdeu. Pode viajar sozinha com esses negros, sem nenhum perigo. Vou voltar." Retrocedeu. Foi cuidar do engenho de rapadura no seu sítio pé-de-serra, Bebida Nova”.

¹ . O escritor J. de Figueiredo Filho, autor do livro “Engenhos de Rapadura do Cariri”, cratense como Amélia, esteve com ela, em Salvador, em 1936. Visitou-a em casa. Ela já de idade avançada e viúva do cirurgião Julio Perouse Pontes, de ascendência francesa. Explica Figueiredo Filho como, com o casamento, ela passou a assinar Amélia Benebien Perouse. Alterou o sobrenome Bembem para Benebien, resultado da junção da palavra latina Bene, e do francês Bien.
Na verdade, Bembem era apelido do seu pai que foi incorporado ao sobrenome de família. Com o nome de casamento, passou a ser conhecida na Bahia e com o qual a municipalidade de Fortaleza a homenageou no início dos anos 80, batizando uma rua com o seu nome, fato que até hoje, lamentavelmente, não ocorreu em sua cidade natal. ² O jurista e escritor Raimundo de Oliveira Borges, em seu livro “Crato Intelectual”, focaliza a figura da Dra. Amélia e afirma fora a homenagem prestada pela edilidade fortalezense à primeira médica cearense, a ilustre cratense “teria desaparecido na voragem do esquecimento, lembrada quando muito pelos familiares...”. ³ .
Também conhecido como Lopes, o sítio ficava a pouca distância do centro da cidade do Crato e em volta dele dezenas de outras propriedades rurais eram dedicadas à produção de rapadura, que era vendida, em grande parte, para os estados de Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte. Houve época em que só no município do Crato havia mais de 200 engenhos de cana de açúcar, produzindo a melhor rapadura do País. Leia também: Parte I Parte II Parte III.
Parte IV Parte V Parte VI Parte VII Parte VIII . Parte IX . Parte X Fonte: Blog Fatos Históricos Mundo em debate/Portal da História do Ceará/1001 Cearenses Notáveis-F. Silva Nobre e Site Casa do ceara, do jornalista José Jézer de Oliveira (Crato).
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