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Lívio Barreto - O caixeiro poeta

Lágrimas tristes, lágrimas doridas, Podeis rolar desconsoladamente! Vindes da ruína dolorosa e ardente. Das minhas torres de luar vestidas! Órfãs trementes, órfãs desvalidas, Não tenho um seio carinhoso e quente, Frouxel de ninho, cálix recendente, Onde abrigar-vos, pérolas sentidas. Vindes da noite, vindes da amargura, Desabrochastes sobre a dura frágua. Do coração ao sol da desventura! Vindes de um seio, vindes de uma mágoa. E não achastes uma urna pura.

Para abrigar-vos, frias gotas d’água! Lágrimas - Lívio Barreto Lívio da Rocha Barreto nasceu na Fazenda dos Angicos, distrito de Ibuaçu comarca de Granja/Ce , em 18 de fevereiro de 1870.

Filho de José Soares Barreto ( o Águia do Trapiá )e Mariana da Rocha Barreto. Lívio foi morar na sede Granja, onde chegou em 1878 e aí aprendeu, com o professor Francisco Garcez dos Santos, as primeiras letras. Cedo, tinha apenas o Ensino Primário, teve que abandonar os estudos para atuar como caixeiro no comércio. Foi quando conheceu o magistrado Antônio Augusto de Vasconcelos que o ensinava, nas horas de folga, lições de Português, Geografiae Fran cês. O Caixeiro.

Exigências de fortuna obrigaram-no a ir, muito criança ainda e muito a contragosto seu, servir como caixeiro de um parente (ofício embrutecedor que o perseguiria pela vida a fora), gastou ele aí a melhor parte de sua infância, incompreendido e anônimo. Mas, não podendo conter os ímpetos de sua alma em anseios de ideal superior, com José Barreto, Luís Felipe, Belfort e outros funda um jornal literário - "O Iracema" - onde aparecem seus primeiros versos, defeituosos ainda, mas já reveladores da inspiração e da originalidade daquele que mais tarde passaria a ser o principal representante do Simbolismo no Ceará, apesar da forte tendência romântica. Sentindo o meio em que vivia intelectualmente atrasado para seus talentos, resolve seguir para Belém do Pará, em junho de 1888, onde trava conhecimento com o poeta João de Deus do Rêgo, que muito contribui para o seu aperfeiçoamento literário.

Regressa dali, em 1891, doente e acabrunhado de esperanças(. Com beribéri* e saudoso de casa, retornou ao Ceará. Nesse período, viu-se envolvido por uma intensa e triste paixão que o acompanharia até os últimos de seus versos e suspiros. Ainda em 1891, publicou “Versos a Estela”, além de sonetos e crônicas). Por esse tempo aparece, na sua terra natal, um outro jornal literário - "A Luz" - em que Lívio publica sonetos e ligeiras crônicas humorísticas. Restabelecido no seio carinhoso da família, em fevereiro de 1892, ruma para a bela Fortaleza (.

Em fevereiro de 1892, na busca do poético “fugir para esquecer”, dirigiu-se a Fortaleza, passando a trabalhar como caixeiro e a publicar versos no jornal "Libertador".), onde se torna um dos fundadores (com o pseudônimo de Lucas Bizarro) daPadaria Espiritual- entidade literária que produzia o jornal - "O Pão" - tendo à frente o talentoso poetaAntônio Sales. Intelectualmente satisfeito, mas afetado, fora do lar, por dificuldades financeiras, regressa ele como filho pródigo, acontecendo naufragar à altura da Periquara, em viagem no vapor Alcântara (Porém, desgostoso com o seu ofício no comércio, retornou à Granja (junho de 1982) à bordo do vapor Alcântara que naufragou, lançando ao mar revolto seus livros e um poema inédito.), salvando-se a nado, exímio nadador que era.

Isto lhe rendeu um belo poema: "Náufrago". Segundo Artur Teófilo, "O Lívio era magro, pequeno, altivamente petulante.

Tinha o olhar penetrante, sem vacilações, a fronte alta e abaulada e uma palidez baça de hepático. Ria pouco e só entre amigos deixava por vezes transparecer sua fina verve elegante, um bocado pessimista e epigramática. Com o vulgo era sisudo, um tanto frio mesmo, com uns longes de bem entendido orgulho. Usava casimiras claras, chapéu de feltro alto, e fumava cachimbo, à noite, embalando-se rapidamente na rede, com um livro de versos nas mãos." Dolentes 1ª Edição (capa 03).

Dolentes - 1ª Edição A morte chega cedo demais Em 1893, ingressou na Companhia Maranhense de Navegação à Vapor, para Camocim.. Lívio Barreto, autor de um único livro - DOLENTES - publicado postumamente por Waldemiro Cavalcanti, faleceu na sua banca de trabalho, em Camocim, fulminado por uma congestão cerebral**, pelas 3 horas da tarde do dia 29 de setembro de 1895, com apenas 25 anos de idade, tempo insuficiente para aprimorar sua arte poética. Mesmo assim, tornou-se o maior poeta granjense de todos os tempos e um dos principais do Ceará.

Lívio Barreto é patrono da cadeira nº 24 da Academia Cearense de Letras. . Lívio Barreto mereceu, das autoridades municipais, ter seu nome ligado a uma importante rua do centro da Cidade de Granja. A denominação poderia abranger toda a extensão da rua, mas o costume inadequado de dar-se múltiplos nomes a ruas grandes levou-a a ostentar dois outros, ao aproximar-se ao Cemitério e chegando ao Rio.

José Xavier Filho *Beribéri é uma doença provocada pela falta de vitamina B1 no organismo, o que provoca fraqueza muscular e dificuldades respiratórias. A doença pode afetar o coração, dando origem a uma cardiomiopatia por deficiência nutricional chamada de beribéri cardíaco. **Congestão cerebral é a afluência anormal do sangue aos vasos do cérebro causado por emoções muito fortes e violentas, indigestões, contusões cranianas, alcoolismo, stress, etc.

O limão funciona como tratamento auxiliar. Fontes- Wikipédia, Raymundo Netto e pesquisas diversas pela internet

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💬 Comentários (2)

Lúcia Bezerra de Paiva 22/09/2010 22:32
Seu pseudônimo na Padaria Espiritual, Lucas Bizarro, é bem apropriado à sua personalidade, sua vida nostálgica, me parece. Nunca tinha lido
nenhum poema seu....o que aí está é belo e triste.
O conhecia apenas como um dos padeiros...
Teve morte tão prematura...que pena, poderia ter nos deixado mais livros, além do Dolente!!!

Boa noite, linda!
Leila Nobre 23/09/2010 01:08
É triste mesmo. O nome "lágrimas" faz
todo o sentido! rs

Boa noite, amore! :)

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