Judas jipeiro

Acervo de Licínio Filho Nas lonjuras do tempo, a queima ou malhação do Judas tradicionalizava-se. O marchante Zé Gomes, em dias da Semana Santa, contratava costureira responsabilizada pela feitura esmerada de um boneco, que representava o apóstolo traidor. Com trajes modernos. Terno completo, gravata, lenço no bolso, sapatos, chapéu de massa, óculos Ray Ban e uma pasta de couro preta. Véspera do Sábado de Aleluia. Forca armada. No alpendre, ocupando lugar de destaque entre os convidados, o nascido em Carioth, Sul de Judá.
Testamento, em versos debochados, pronto para leitura. Cachaçada e tira-gostos à beça. O mais sóbrio confundia a Lua com o Sol.

Acervo de Licínio Filho Relaxaram a vigilância ao desditoso. Daí veio outra tradição da data. Sorrateiramente, grupo de ladrões de Judas, furtou o cúmplice dos sinedritas. Já madrugada, quando sentida a falta. Festeiros, sem rumo, deram-se a procura. Há três quarteirões, o Jeep Willys, 1954, famoso cara alta, passava a noite em frente à propriedade do dono, Seu Osório. A algazarra dos bebuns o acordou e, pelas venezianas, vislumbrou os bagunceiros e algo mais preocupante.
Um homem corpulento sentado no banco do guiador do 4 x 4.

Acervo Guilherme da Costa Gomes Correu até o telefone. Discou 2874. Rádio Patrulha. E relatou o que vira. Um ladrão corpulento está tentando roubar meu jipe. Não consegue fazer ligação direta da ignição porque, à noite, eu retiro o rotor. Venham depressa!

Acervo agmindaiatuba Deu o endereço e aguardou. Como um raio, dois fuscas RP chegaram. Policiais armados cercaram o veículo. Alarido dos curiosos. Gritos de ordem dos agentes da lei. E o larápio impassível. Silente. Imóvel. Era o Judas roubado. Judas jipeiro. Crédito ao amigo e colaborador Geraldo Duarte
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