Faquir no Abrigo
Foto de 1950 - Arquivo Nirez
Inaugurado em 1956, o Abrigo Central firmou-se como destacado ícone de Fortaleza. Localizado ao lado Norte da Praça do Ferreira, na área compreendida entre as ruas Floriano Peixoto, Guilherme Rocha, Major Facundo e travessa Pará, constituiu-se palco de marcantes acontecimentos do cotidiano citadino.
Por uma década, pois em 1966 foi inexplicavelmente demolido pela Municipalidade que o edificou, registrou fatos até hoje inesquecíveis.
Por ele, diariamente, transitavam a vida, a cidadania e a política fortalezenses.
Pessoas de todas as classes sociais, profissões, credos, raças, sexos e idades frequentavam o simples e aconchegante local de comércio, serviços e, sobretudo, ambiente de encontros, discussões, informações e descontrações dos labores vivenciais. Lanchonetes, confeitarias, cafés, tabacarias, engraxataria, lojas de vendas de discos, de selos tributários, de jornais e revistas, além de pontos de ônibus motivo de sua construção, ali serviam ao público. Afora tais, existiam empreendimentos outros.
O espaço livre maior servia a acontecimentos vários. Sorteios publicitários de veículos, exposições em geral e eventos extraordinários. Destes, lembro-me o de um faquir denominado Zokan.
Encerrado em urna envidraçada e lacrada, contendo cama de pregos, pequena janela para receber líquidos – sua única deglutição –, frestas de arejamento e altura que o permitia sentar-se, ficaria três meses em jejum. A estudantada do Colégio Lourenço Filho, finda a aula, ia ver o asceta nacional. Por indagar como supria suas necessidades fisiológicas e porque não emagrecia, era convidada a deixar o local. Artigo do amigo e colaborador Geraldo Duarte

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