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Cine Theatro Polytheama - 1911

A Praça do Ferreira, centro da vida social e comercial, passa a ter um cinema que se tornou memorável, o Cine-Theatro Polytheama, cuja inauguração ocorre a 2 de junho de 1911. Localizado à praça, no prédio nº 12, no mesmo local em que quarenta e sete anos mais tarde seria inaugurado o luxuoso Cine São Luiz, sua criação deu-se ao esforço dos irmãos José e Joaquim de Oliveira Rola, associados sob a denominação Empresa Rola & Irmãos. O Polytheama, que teve uma longa vida, sobrevivendo à era do cinema sonoro, mesmo permanecendo como cinema mudo, foi em seus seis primeiros anos o principal cinema da cidade, oferecendo maiores e amplas instalações que seus concorrentes programando filmes de qualidade.

José de Oliveira Rola Sua inauguração foi precedida por viva expectativa, refletindo-se na imprensa diária as minuciosas providências de seus proprietários. “A República”, de 25 de janeiro de 1911, publicava o anúncio: POLYTHEAMA . Cinema e Theatro Em Construção. Aceitam-se reclames para as paredes do salão de espetáculos. Preços módicos. Tratar-se com José Rola. No El Contado. Rua Municipal, nº 8. Novamente em “A República”, a 26 de fevereiro de 1911, noticia-se o futuro cinema e teatro, que surpreende com uma pré-inauguração com espetáculo de teatro e música: POLYTHEAMA Uma nova casa de diversões vai ser aberta ao público cearense. Localizado à Praça do Ferreira, por conseguinte num dos melhores pontos da capital, o “Polytheama", da empresa Rola & Irmão, está sendo instalado com o maior gosto e esmero, de molde a corresponder, plenamente, aos fins a que se destina. Nos três dias de carnaval, à noite, serão realizadas, por sessões, variados espetáculos no “Cinema-Theatro”. Tomarão parte na representação alguns artistas da Companhia Francisco Santos, entre os quais Vieira Xavier, Joaquim Castro, João Carvalho, Narciso Costa, Francisco Brito e Eulina Barreto. Amanhã serão levadas à cena as seguintes peças: nas sessões de 7 e 9 horas a engraçada comédia de Eduardo Garrido, “Os 30 botões” e na de 8 a comédia “Uma Tourada”. Serão cantados também o “Fadinho Brasileiro” e a “Caninha Verde”. Durante os espetáculos executará escolhidos trechos de música uma esplendida orquestra sob a regência do maestro Smido. Chamamos a atenção dos leitores para o anúncio que a empresa Rola & Irmão faz inserir, hoje, na seção competente.

O Polytheama seria de fato inaugurado, meses antes de sua primeira exibição cinematográfica, agora apenas como espaço teatral. O seu salão era aberto para breve temporada do grupo cênico de Francisco Santos, de 26 a 28 de fevereiro, no período das festas carnava. Iescas. O anúncio da Empreza, publicado em “A República”, de 25 de fevereiro de 1911, diz: POLYTHEAMA Cinema Theatro 12 - Praça do Ferreira - 12 Para festejar o Carnaval de 1911, a Empreza Rola & Irmão, e de acordo com o Empresário Francisco Santos, resolveu realizar espetáculos no novo Theatro, nos dias 26, 27 e 28, divididos em 3 sessões diárias.

Jornal do Ceará de agosto de 1911 Domingo, 26 de fevereiro, Domingo . Grande e variadas sessões Rir! Rir! Rir! 1ª Sessão (às 7 da noite). A representação da hilariante comédia de Eduardo Garrido OS 30 BOTÕES Desempenhada pelos artistas d. Eulina Barreto, João Carvalho e Narciso Costa. 5 números de música A célebre Caninha Verde e o Fadinho Brasileiro.

2ª Sessão - às 8 horas A representação da chistosa comédia UMA TOURADA

Personagens: Maurício aficcionado de touros - Vieira Xavier Arthur, seu filho - Mariano Carvalho Padre Pimenta - Joaquim Castro Marcela, “velha beata" - Francisca Britto 3ª e última sessão às 9 horas Os 30 Botões Abrilhantará o espetáculo uma excelente orquestra sob a regência do distinto maestro Luiz Smido. PREÇOS Cadeiras na platéia - 1$000 Idem nas varandas - 1$500 Segunda e terça-feira espetáculos com programas novos. AVISO O Salão será franqueado ao ilustrado público depois da 2a.

sessão. 0 serviço de Botequim está a cargo da acreditada “Maison Art-Nouveau. Depois desse breve período de funcionamento, como teatro, o Polytheama ficaria fechado para as obras complementares. Foram meses de expectativa, voltando o assunto aos jornais apenas em junho, em noticias como a que recolhemos de 'A República' de 12 de junho de 1911: POLYTHEAMA Dentro de muitos breves dias a digna e esforçada Empresa Rola & Irmão franqueará ao público desta Capital um estabelecimento de diversões familiares, com um bar de primeira ordem. Está sendo montado, por profissional competente, um motor potentíssimo para iluminação elétrica do vasto prédio onde está o Polytheama, e acionamento de um grande frigorífico e do aparelho cinematográfico. Oportunamente daremos uma noticia completa sobre o importante estabelecimento. Jornal do Ceará de 1911 Dar-se-ia então a inauguração formal do Polytheama, do palco no sábado, 1º de julho de 1911, e do cinema - no domingo, dia 2, numa antecipação do que era previsto para a segunda-feira.

Noticia a respeito, em “A República” (30.6.11), diz: POLYTHEAMA Conforme noticiamos, a Companhia Remini inaugurará amanhã essa casa de diversões, com a representação da “Princesa dos Dollars”, a deliciosa opereta que tanto agradou a nossa platéia. Domingo, realizar-se-á outro espetáculo da Remini no Polytheama, onde de segunda-feira em diante, começa a funcionar o cinema. Já chegaram esplendidas fitas e novo sortimento é esperado pelo “S. Paulo", bem como uma troupe de variedades, que 5ª feira, deverá estrear-se.

Jornal do Ceará de 1911 Fortaleza passava a possuir quatro cinemas, e o novo salão tinha tudo para competir com o Rio Branco, Cinema Júlio Pinto e Cinema Di Maio. A abertura do novo cinema, é assim noticiada: POLYTHEAMA - Ontem começou a funcionar o cinema dessa conceituada casa de diversões, sendo exibidas cinco esplêndidas fitas. Para hoje foi organizado novo programa, de que constam belas fitas da Cines, Biograph e Pathé Frères. (A República de 03.7.1911) São filmes da fase inicial do Polytheama: Fedra (Phedra), da Pathé Frères, de Paris; Vingança da Morta (La Vendetta di una Morta; Comério L., de Milão, 1908, 130 metros; já exibido no Rio Branco, em novembro de 1910), Nella di Loredano (Nella de'Loredano; Saffi-Comerio, de Milão, 1909, 198 m, fita histórica dirigida por Giuseppe De Liguoro); Verdadeira Caridade (Simply Charity), Biograph Company, 1910, 993 pés, de D.VV.

Griffith, fotografia de Billy Bitzer e Arthur Marvin, com Mary Pickford, VV. Christie Miller, Georg Nichols, Edwin August, Kate Bruce, Charles West, Claire Mc Dowell e William J. Butler; O Carnaval do Rio de Janeiro em 1911, “magnífica fita natural”, Empresa Serrador, fotografia A. Botelho; O Taberneiro Joe ('Ostler Joe), Biograph Company, 1908, 877 pés, estória curta de James Brown Potter, cenário D.VV. Griffith, fotografia Billy Bitzer, direção Wallace Mc Cutcheon, com D.

VV. Griffith e Eddie Dillon (já exibido no Júlio Pinto, em outubro de 1910), Max Procura uma Noiva (Max Cherche une Fiancée), Pathé Frères, 1910, com Max Linder; Antonio Foscarini (Antonio Foscarini), Film D'Arte . Italiana, de Roma, 1910, 240 m, drama histórico; Mademoiselle de Sombreuil -ou- Um Episódio da Revolução Francesa (Mademoiselle de Sombreuil), Gaumont, 1910, 210 m, fita dramática histórica; Bigodinho e seus Filhos (Rigadin et ses Fils), Pathé, 1911, cômica com Prince-Rigadin; O Fugitivo (The Fugitive), Biograph, 1911, 996 pés, de Griffith, fotografia de Bitzer, com Edwin August, Lucy Cotton, Joe Graybill, Owen Moore, Kate Bruce, Eddie Dillon e Dorothy West, já exibido no Di Maio, a 7.5.11; A Vingança (La Vengeance), Pathé, 1909, 105 m, dramática; Nero (Nerone), Societá Anonima Ambrosio, de Turim, 1909, 338m, de Luigi Maggi e Arturo Ambrosio, com Lydia de Roberti e Alberto Capozzi, já exibido no Cassino Cearense a 16.2.10 e no Rio Branco, em 15.1.11; Campeão de Box (Champion de Box), Pathé, 1910, comédia de Max Linder, já exibida no Rio Branco, a 4.12.10; Amigos da Infância (Amici d'Infanzia), Cines, de Roma, 1910, 188 m, dramática; Mater Dolorosa (Mater Dolorosa), Société Française des Films et Cinématògraphes Eclair, 1910, 200 m, cenário René Marquis, fotografia Ravet, diretor Emile Chautard, com Dupont-dell" Apuxarra -ou- II Tuxani), Cines, 1911, 302 m, de Mario Caserini, com Amleto Novelli e Gianna Terribili-Gonzalez; Novidade na Vila (Novità in Paese), Cines, 1911, 234 m, drama; Noite de Serão (Out of the Night), Thomas A.

Edison Inc., 1910, 950 m, adaptação de Rex Beach, direção de Edwin S. Porter; Tontolini Aprende a dançar (Tonto Iini impara a Ballare), Cines, 1911, 175m, com Guil Iaume; Atraso Postal (Ritardo Posta Ie), Itala Film, de Turim, 1911, 131 m, cômica; Cidade de VIadikavraz (La Città di Vladikancas), Ambrosio, 1911, natural, de Giovanni Vitrotti; Prisioneiro do Cáucaso (Kavkazski Plennik -ou- Prigioniero de I Caucaso), Societá Anonima Ambrosio, de Turim/timan-Rejngardt, de Moscou, 1911, 306 m, drama filmado na Russsia por Giovanni Vitrotti; e muitos outros, de procedência dos estúdios italianos, franceses e americanos.

Jornal do Ceará de 10 de novembro de 1911 Os anos que se seguiram foram de renovado êxito. Em fevereiro de 1912, há uma temporada do Sr. José Casajuarana, que combinava filmes e fonógrafo. A respeito dele, são as notícias seguintes: POLYTHEAMA. Visitou-nos hoje o estimavel cavalheiro Sr. José Casajuarana, que deve estar hoje mesmo, no Polytheama. Os aparelhos de que se serve o Sr. Casajuarana costituem as invenções mais modernas da Casa Gaumont, de Paris. Com o Sr. Casajuarana trabalham os jovens dansarinos Isabel e Maria Jerenzaniti. (A República de 12.2.12)

Jornal 'O Jornal' de 6 de outubro de 1916 POLYTHEAMA. Assistimos mais uma vez, hontem, com prazer a uma das sessões do Polytheama, que esteve, como quase sempre, admirável. O phonágrapho do Sr. José Casajuarana tem cantado lindas peças, de combinação com bonitas creações da Casa Gaumont, é digno de ser ouvido pelos habitués de bom gosto. (A República de 16.1.12)

(Grafia da época) Continua...

Fonte: Livro Fortaleza e a Era do Cinema de Ary Bezerra Leite Jornais antigos: Biblioteca Nacional

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💬 Comentários (1)

Anonymous 03/07/2020 02:47
Mais um Parabéns para sua coleção.Bom demais,conhecer a história da minha cidade que tanto gosto.Agradecida.

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