Aba Film - Ademar Bezerra de Albuquerque

Ademar Bezerra de Albuquerque Em 1934 quando Fortaleza contava com uma população de 137.789 habitantes, um bancário de 18 anos de idade, decidiu montar um laboratório fotográfico, cujo nome foi formado pelas iniciais do seu nome. Esse bancário chamava-se Ademar Bezerra de Albuquerque, o estabelecimento recebeu o nome de ABA . Film. A ABA Film tornou-se a principal referência em fotografia no Ceará. Muitas histórias do Estado e de Fortaleza foram contadas pela ABA Film através de suas imagens. O laboratório da ABA Film especialista em revelação de imagens analógicas, não resistiu a modernidade das maquininhas digitais.
A matriz da empresa, que ficava na Avenida Heráclito Graça, já encerrou suas atividades há algum tempo, agora estão fechando as unidades espalhadas pela cidade.
Aba Film década de 30- Arquivo Nirez
A ABA FILM é a proprietária do arquivo do único registro fotográfico e cinematográfico sobre cangaço, o qual foi realizado pelo "turco"(sírio/libanês) Benjamin Abrahão Botto.
Este registro fotográfico e cinematográfico sobre cangaço (Falarei com mais detalhe sobre esse assunto em outro post), foi apreendido pela ditaura de Getúlio Vargas, analisado e censurado pelo DIP(Departamento de Imprensa e Propaganda).
A Aba Film é aempresa fotográfica que registra desde sua fundação os principais eventos e manifestações da cultura e cotidiano do povo do Ceará e Nordeste.
Já jovem, Ademar tinha interesse pela arte da imagem e aos 18 anos já tinha o próprio labotatório fotografico.
Trabalhou por 40 anos no London Bank em Fortaleza.
Ademar Bezerra de Albuquerque entrou para a história devido ao empréstimo e orientação do uso do material fotográfico para o secretário do Padre Cícero, “turco”(sírio/libanês) Benjamin Abrahão Botto. Este trabalho conjunto resultou no registro fotogrático e cinematográfico do cangaço, precisamente de Lampião(Virgulino Ferreira da Silva) e seu bando.
Rua Major Facundo, entre a Liberato Barroso e a Pedro Pereira do chamado lado do sol.
Na foto a funcionária da Aba Film Diana Costa - Arquivo Nirez
O cearense Ademar Albuquerque surgiu para a pintura aos 67 anos, numa idade em que muitos artistas dão por concluída a sua obra. Apesar de pintar somente há três anos, já revelava um amadurecimento técnico, um sentido de composição, um apuro cromático que nos deixariam intrigados não soubéssemos que o artista exerceu por largos anos o profissionalismo fotográfico, o que decerto lhe favoreceu o insight para uma exteriorização artística forte e pessoal, tocada de inequívoca originalidade.
Exposição de pintura de Ademar
Esse artista primitivo, partindo da representação simbólica de conteúdos inconscientes, expressa-se dentro de um surrealismo intuitivo em que uma exuberante inventiva faz emergir, dos impulsos elementares da personalidade humana, a introvisão de um mundo bizarro e fascinante.
São corujões e flores aberrantes, insetos formidáveis e seres míticos — expressões de ritmos vitais captados com um senso do drama e de mistério que surpreende.

Se por um lado as peculiaridades formais desse pintor revelam-nos um primitivo-surrealista, por outro lado, noutra fase da sua evolução artística, vemo-lo situar-se no elementarismo, a maneira de Gauguin. Estamos, portanto, diante de um pintor em estado de transição, mas assim mesmo com tendências comuns em todos os quadros, acentuadas nas suas últimas produções, e que denunciam uma exclusividade formal prestes a definir-se.

Mas, acima e além do que foi dito nessas brevíssimas considerações teóricas, temos a considerar a força atuante dos elementos simbólicos dessa pintura, a nosso ver de conteúdo puramente onírico, como se o artista tivesse desejado fixar em forma e cor aqueles sedimentos imemoriais que se ocultam no mais profundo de nossas mentes e de nossas almas. Daí, supomos, assaltar-nos esse sentimento de perplexidade diante dessas configurações insólitas, a suspeição de estarmos defrontando com algo que nos parece estranhamente familiar no seu lirismo extravagante ou nas suas sugestões macabras, às vezes vagamente aterradoras.
E uma impressão que persiste e aparece em nossos sonhos. A. Albuquerque expressa o mistério sem o violar com interpretações intelectivas, evoca nossa ancestralidade mística sem tentar desvendar o seu enigma ou propor a sua solução. Sua pintura possui uma grande força de comunicação porque nos restitui a pureza do mito através da linguagem simbólica – única de entendimento universal entre os homens. José Maia

Folder da exposição de Ademar
(RELAÇÃO DAS OBRAS EXPOSTAS)1 São João - Óleo s/ tela2 Iemanjá - Óleo s/ tela3 Janela - Óleo s/ tela4 Dança Dos Átomos5 Homem Primitivo6 Macumba7 Pacatuba - Óleo s/ tela C. P.8 Feira no Interior - Óleo s/ tela C. P.9 Metamorfose I10 Metamorfose II11 Borboleta - Óleo s/ tela C. P.12 Gaivota13 Paisagem Chinesa14 Vulcão Fuji15 Corujão16 Visão do Além
Adhemar Bezerra de Albuquerque nasceu em Fortaleza, em 19 de julho de 1892.
Iniciou seus estudos no colégio do Anacleto e, posteriormente, com sua mãe, que foi a diretora do primeiro grupo escolar de Fortaleza.
Tendo perdido o pai aos dez anos de idade, foi obrigado a trabalhar para ajudar na manutenção da família. Já nesta idade o seu espírito criador e imaginativo fazia-se mostrar através de esculturas em madeira e pequenas maquetes de navios veleiros.
No esporte foi um dos grandes entusiastas, tendo-se destacado no ciclismo e futebol, na sua juventude, e posteriormente no tênis e no xadrez.
Casou-se em 1915, com Lasthenia Menescal Campos, de cujo casamento nasceram nove filhos.
Foi um dos pioneiros da fotografia e da cinematografia no Ceará, tendo fundado em 1934 a ABA FILM.
Aposentando-se em 1948, depois de quarenta anos de trabalho no Bank of London, fixou residência em Belo Horizonte, onde fundou o Studio Albuquerque.
Em 1959 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde continuou com seu "hobby" preferido, a fotografia, dedicando-se também a pintura que em pouco tempo o absorveu totalmente.
Suas pinturas expressam a livre realização de seus sentimentos artísticos.

Seu interesse se voltou para o registro do cotidiano e da cultura do Ceará. Em 1925 Ademar Albuquerque fez o primeiro filme sobre Padre Cícero: O Joazeiro do Padre Cícero. O documentário contém imagens da cidade de Juazeiro do Norte, a devoção ao Padre Cícero, a feira, o movimento das ruas. Registra também imagens de Missão Velha, Crato e Barbalha. O filme foi lançado no Cinema Moderno em Fortaleza no dia 8 de dezembro. Nesse curta metragem é possível ver Padre Cícero caminhando nas ruas de Juazeiro do Norte e tendo ao seu lado personalidades políticas e atrás de si uma pequena multidão.
A produção do filme foi registrada em dois artigos do Jornal do Comércio. Durante as filmagens em Juazeiro do Norte, Ademar Bezerra de Albuquerque foi apresentado ao imigrante libanês Benjamin Abraão Botto, secretário particular do Padre Cícero. Neste encontro Ademar Albuquerque não só emprestou farto material fotográfico, como introduziu Benjamin nas artes da fotografia e do cinema. Em 1926, na ocasião em que Lampião visitou a cidade de Juazeiro do Norte, Benjamin Abraão tentou, sem sucesso, filmar o cangaceiro e seu grupo.
No entanto, seguiu à procura de Lampião até fazer o único registro em filme numa localidade chamada Bom Nome. Realizado em 1936, o filme Lampião foi censurado pelo Estado Novo que se preocupou com a transformação do filme numa apologia ao cangaço. Benjamin Abraão foi morto em 1938, num crime até hoje não esclarecido. Nos anos 50, o material de Benjamin Abraão foi recuperado pela Fundação Getúlio Vargas que o incorporou a seu acervo.
ARQUIVO ABA FILM:
Campanha politica do Marechal Henrique Teixeira Lott em Fortaleza, com a presença de Francisco Menezes Pimentel, Parsifal Barroso e Armando Falcão (sentados) De pé alguns repórteres, entre eles, Edilmar Norões e Armando Vasconcelos (1959).


Traslado dos restos mortais do General Sampaio na Avenida Bezerra de Menezes, com a presença do então Governador Virgilio Távora (1966).


Este incêndio destruiu completamente o Edificio Majestic e as Lojas Brasileiras na Praça do Ferreira (1955).


Edificio Parente, na esquina das ruas Barão do Rio Branco com Guilherme Rocha (1936).
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Foto tirada logo após o desabamento da Igreja do Coração de Jesus (1957)

Inauguração do prédio da Assistência Municipal, na esquina das Ruas Senador Pompeu com Antonio Pompeu, na antiga Praça de Pelotas (1940)
Inauguração do Posto Nash, que vendia combustiveis e serviços (1950)
Inauguração da nova sede do Naútico Atlético Cearense (1952)
Créditos: Site do Museu de arte da UFC, Wikipédia, Nirez e pesquisas pela internet
💬 Comentários (17)
Fiz minha 1ª Comunhão e recebi o Crisma naquela Igreja!Morei na rua à frente, na Barão de Aratanha,nº 232, próximo à igreja....brinquei nos patamares, que antes da queda existiam,toda a minha infância - de 1945 a 1952...Íamos às missas e às novenas, com quermeces... que legal eram os leilões!!...Meu pai,católico ferrenho, arrematava bolos, galinhas assadas, etc, para ajudar os frades franciscanos. Meu pai era: Viventino, Mariano e Franciscano!!! Sabem o que é isso??? rsrsrsr. Depois eu explico!!
Ciao, bambina! Beijo!
"Vicentino, Mariano e Franciscano..." não sei ao certo, mas com certeza tem algo em comum com os frades que ele ajudava :P hihihihi
Beijosssss
Bom:- Vicentino: confrade(sócio) da Ordem de São
Vicente de Paulo;
- Mariano: da Ordem de Maria (Nossa Senhora);
- Franciscano: da Ordem dos São Francisco
(frades Capuchinhos)
Beijos, amiga
Abraços
Nossa, imagino como vc deve está chateada, as fotos deviam ser lindas mesmo!
Pelo o que eu soube, quando a Aba Film resolveu fechar as portas, eles entraram (pelo visto não acharam seu contato) em contato com várias pessoas perguntando se tinham interesse em pegar os negativos, sei disso, pois uma amiga q participou de desfiles de miss Ceará, recebeu a ligação e na época, ela não deu muita atenção e hoje se arrepende de não ter ido buscar! :(
O arquivo da Aba Film foi entregue nas mãos do querido Nirez, mas não sei te informar se os negativos tbm.
Entre em contato com ele e se informe, não custa tentar, não é? :)
E-mail dele: nirez@terra.com.br
Quanto ao blog, fico muito feliz de saber, obrigada!
Forte abraço e ficarei na torcida!
A Aba Film não existe mais. O seu acervo (não sei se todo ou apenas uma parte), foi cedido ao Arquivo Nirez.
Endereço do Arquivo Nirez:
Rua Professor João Bosco, 560
Bairro: Rodolfo Teófilo
E-mail: arquivonirez@gmail.com
Telefone: (85) 3281.6949 / 3281.6102
Abraços
E família em frente a aba filme na década de 60 como posso enviar e para quem?
Por gentileza, envie para fortalezanobre@gmail.com
Lhe agradeço desde já!
Forte abraço